Um júri de Los Angeles considerou a Meta e o Google responsáveis em um processo judicial relacionado ao vício em redes sociais, uma decisão histórica que pode ter repercussões monumentais na forma como casos semelhantes serão tratados nos Estados Unidos e, possivelmente, em outros países. O caso girou em torno de uma jovem de 20 anos, conhecida no tribunal como Kaley, que afirmou ter se tornado dependente do Instagram e do YouTube após começar a usá-los na infância.
Os jurados concluíram que ambas as empresas agiram com negligência e não alertaram os usuários sobre os potenciais danos associados ao uso prolongado de suas plataformas. Concordaram também que elementos de design, como sistemas de recomendação, notificações e reprodução automática, contribuíram para os problemas de saúde mental da usuária.
Vício em redes sociais
Segundo relatos, Kaley descreveu ter sofrido de dismorfia corporal, depressão e pensamentos suicidas após anos de uso quase constante do aplicativo. Sua equipe jurídica argumentou que essas plataformas foram construídas de forma a incentivar o envolvimento compulsivo, dificultando que usuários mais jovens se afastassem delas.
Após longas deliberações, o júri concedeu uma indenização de 3 milhões de dólares e confirmou danos punitivos adicionais. A responsabilidade foi dividida, cabendo à Meta a maior parte.
Os advogados das duas gigantes da tecnologia reagiram, naturalmente, argumentando que os problemas de saúde mental dela estavam ligados a circunstâncias pessoais, e não ao tempo gasto nas redes sociais. Eles também questionaram a ideia de vício em redes sociais como uma condição médica definida.
O julgamento é um dos vários em andamento que se concentram em como as plataformas são construídas, em vez do que os usuários publicam, uma abordagem destinada a contornar as proteções legais da Seção 230. Essa estratégia está sendo testada nos tribunais à medida que mais ações judiciais movidas por pais, distritos escolares e autoridades estaduais avançam.
Alguns desses casos já resultaram em acordos, incluindo acordos envolvendo o TikTok e o Snap antes do início deste julgamento.
Em um caso separado, um júri do Novo México ordenou que a Meta pagasse US$ 375 milhões após constatar violações relacionadas à proteção da segurança infantil. Executivos, incluindo Mark Zuckerberg, prestaram depoimento durante o processo em Los Angeles, enquanto documentos internos da empresa foram apresentados aos jurados como prova.
O resultado poderá influenciar centenas de casos pendentes, uma vez que os tribunais continuam a examinar se o design da plataforma pode ser diretamente relacionado a danos.
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Fonte: www.betanews.com
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