Google, Amazon, Facebook e Microsoft vão investir US$ 650 bilhões em IA só este ano

Negócios Tecnologia

Quatro das maiores empresas de tecnologia dos EUA anunciaram recentemente seus planos de investimentos para 2026, cujo foco, em todos os casos, será quase exclusivamente em inteligência artificial. A soma de valores impressiona: US$ 650 bilhões. É uma quantia que supera o PIB de muitos países, como Israel. E é mais do que o triplo dos investimentos previstos por 21 grandes empresas dos EUA, grupo que reúne montadoras e gigantes como Exxon Mobil e Walmart, para este ano.

Trata-se de um aporte para construir ou adquirir equipamentos como data centers, chips, cabos de rede e geradores extras de energia. Os gastos previstos por Alphabet (controladora da Google), Amazon, Meta (dona do Facebook) e Microsof ilustram a corrida das big techs para dominar o ainda emergente mercado de ferramentas de IA. E representam um boom de investimentos sem paralelo neste século.

Os anúncios foram feitos pelas empresas ao divulgarem seus balanços financeiros de 2025. O mais recente foi da Amazon, que projetou sozinha investimentos de US$ 200 bilhões em IA este ano.

A estimativa de investimento de cada uma das empresas para este ano marca um recorde de gastos de capital para qualquer empresa individualmente em qualquer um dos últimos 10 anos, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A busca por um paralelo na História exige voltar no tempo ao menos até ao boom de telecomunicações dos anos 1990, quando o início da internet levou a fortes investimentos em redes de dados e provocou, depois, uma bolha financeira no mercado americano. Outros paralelos históricos podem ser encontrados na expansão das redes ferroviárias dos EUA no século XIX, nos investimentos governamentais do pós Segunda Guerra Mundial.

Os números cada vez maiores — no total, um aumento estimado de 60% em relação aos investimentos dessas big techs em 2025 — significam mais uma aceleração na onda de construção de data centers que ocorre ao redor do mundo.

A corrida para erguer essas instalações gigantescas, que abrigam racks de servidores alimentados por processadores caros, tem pressionado o fornecimento de energia, levantado preocupações sobre preços inflacionados para outros usuários e colocado desenvolvedores em conflito com comunidades preocupadas com a disputa por energia ou água.

Também aumenta o risco de que esses investimentos em infraestrutura por um grupo restrito de grandes empresas, que já representam uma fatia crescente da atividade econômica nos EUA, distorçam as estatísticas econômicas do país.

— As big techs veem a corrida para fornecer capacidade de computação para IA como o próximo mercado do tipo “o vencedor leva tudo” ou “o vencedor leva quase tudo” — disse Gil Luria, analista da DA Davidson. — E nenhuma delas está disposta a perder.

“O vencedor leva tudo”, ou no original em inglês “the winner take it all”, é uma expressão usada por economistas para definir mercados no qual a empresa mais inovadora e que chega na frente acaba se tornando monopolista, alcançando a imensa maioria dos ganhos obtidos com um novo produto ou serviço e deixando muito pouco espaço para seus rivais.

Para se ter uma ideia da ordem de grandeza dos investimentos previstos em IA, um compilado feito pela Bloomberg com 21 grandes empresas de outros setores — montadoras, fabricantes de equipamentos de construção e de defesa, operadoras de telefonia móvel, empresas de entrega de encomendas, além de gigantes como Exxon Mobil Walmart e as empresas que fazem parte do antigo conglomerado da General Electric — aponta que, juntas, essas companhias preveem investir US$ 180 bilhões em 2026.

Veja os gastos das quatro grandes empresas de tecnologia anunciados nos últimos dias:

  • Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp): na semana passada, a empresa informou que seus investimentos para 2025 vão subir para até US$ 135 bilhões — um salto de cerca de 87% em relação a 2025.
  • Microsoft: Também na semana passada, a empresa divulgou um aumento de 66% nos investimentos do segundo trimestre, superando as estimativas, e analistas projetam que a companhia desembolsará quase US$ 105 bilhões em gastos de capital no exercício fiscal que termina em junho.
  • Alphabet: A controladora do Google, empresa fundada em uma garagem ao sul de São Francisco em 1998, abalou investidores na quarta-feira ao revelar uma previsão de investimentos que superou não apenas as estimativas dos analistas, mas também os gastos de uma vasta parcela da indústria dos EUA — a empresa planeja gastar até US$ 185 bilhões.
  • Amazon: Nesta quinta-feira, a varejista superou a Alphabet com planos de investir nada menos do que US$ 200 bilhões em em 2026.

A estratégia das empresas

Cada gigante de tecnologia apresentou um caminho um pouco diferente para buscar retorno para os seus investimentos, mas todas as estratégias se baseiam na mesma premissa: que o ChatGPT da OpenAI e ferramentas rivais, capazes de gerar texto e demonstrar elementos de raciocínio humano, terão um papel cada vez mais importante para os humanos, seja no trabalho ou na vida pessoal.

Construir os modelos de software de ponta que tornam essa mudança possível é um processo extraordinariamente caro, que exige interligar milhares de chips vendidos por dezenas de milhares de dólares cada um. Daí as contas bilionárias. Os gastos também se apoiam na ideia de que os produtos finais resultarão em receitas futuras exponencialmente maiores.

Esses investimentos estão transformando empresas que, até poucos anos atrás, tinham uma presença física relativamente pequena, mesmo enquanto seus serviços digitais chegavam a bilhões de pessoas. Durante grande parte de sua existência, a Meta e a Alphabet, controladora do Google, consideravam seus campi corporativos luxuosos e espaços de escritório como uma parte significativa de seus ativos no mundo real. A maior parte de seus gastos ia para salários e concessões de ações a engenheiros e equipes de vendas que trabalhavam nesses locais.

Isso já não é mais assim. No ano passado, a Meta gastou mais em projetos de capital do que em pesquisa e desenvolvimento — em grande parte salários de engenheiros — pela primeira vez em seis anos. A controladora do Facebook e do Instagram, no fim do ano passado, possuía US$ 176 bilhões em propriedades e equipamentos, cerca de cinco vezes o total registrado no fim de 2019.

À medida que os números continuam subindo, ainda não está claro se todas essas empresas conseguirão executar suas ambições elevadas. Com a expansão dos data centers em ritmo acelerado, elas já competem por equipes limitadas de eletricistas, caminhões de cimento e chips da Nvidia Corp. saindo das fábricas da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. “Existem e continuarão existindo gargalos”, disse Luria.

Fonte: www.bing.com
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