Pesquisadores finlandeses avançam no desenvolvimento de sistemas de transmissão de eletricidade sem fio por acoplamento eletromagnético, capazes de alimentar sensores, dispositivos eletrônicos e equipamentos industriais sem qualquer ligação física.
Nada de tomadas ou cabos. Apenas campos eletromagnéticos controlados com precisão.
E é impossível falar do tema sem lembrar dele: Nikola Tesla, o inventor que, ainda no fim do século 19, defendia exatamente essa possibilidade.
A diferença é que, desta vez, ninguém promete energia gratuita para o mundo inteiro, apenas soluções eficientes para problemas bem específicos.
O antigo sonho de Tesla
Muito antes de a eletricidade se tornar um negócio trilionário, Tesla acreditava que a energia poderia ser distribuída como um bem universal, transmitida pelo ar. Seu projeto mais ambicioso, a Torre de Wardenclyffe, nos Estados Unidos, buscava provar que seria possível enviar eletricidade e sinais de comunicação sem fios, em escala global.
Tesla chegou a demonstrar lâmpadas acesas sem conexão direta a uma fonte elétrica. Mas faltava o que hoje existe em abundância: tecnologia, materiais adequados, controle de frequência e, sobretudo, investidores dispostos a bancar algo que dispensasse quilômetros de cobre.
O projeto acabou abandonado, e o mundo optou pelos fios.
O que a Finlândia faz agora
Mais de 100 anos depois, a Finlândia retoma essa ideia — com menos utopia e muito mais engenharia.
Universidades e centros de pesquisa como o VTT (Technical Research Centre of Finland) e grupos ligados à Universidade de Helsinki conduzem experimentos que demonstram a viabilidade da transmissão de energia sem cabos por diferentes métodos físicos.
O principal deles é o acoplamento eletromagnético ressonante, técnica que permite transferir energia entre um transmissor e um receptor ajustados à mesma frequência.
É o mesmo princípio usado em carregadores sem fio de celulares, mas aplicado de forma mais sofisticada e direcionada. Assim, sensores, dispositivos eletrônicos e equipamentos de baixa potência podem ser alimentados pelo ar, sem fios, baterias ou contato físico direto.
Na prática, um transmissor gera um campo eletromagnético controlado, e um receptor, sintonizado na mesma frequência, capta essa energia e a converte em eletricidade utilizável. Tudo com eficiência limitada, alcance curto e regras rígidas de segurança.
Além disso, pesquisadores finlandeses testam abordagens ainda mais experimentais, como o uso de ondas ultrassônicas para criar “caminhos” temporários no ar, alterando a densidade do ambiente e permitindo conduzir descargas elétricas controladas por distâncias curtas.
Esses testes seguem em fase de prova de conceito, restritos ao laboratório.
Nada de “Wi-Fi de eletricidade”
É importante deixar claro que a Finlândia não criou um sistema de energia sem fio capaz de abastecer casas, prédios ou cidades. Não existe um “Wi-Fi elétrico” disponível para a população, como sugerem manchetes exageradas nas redes sociais.
Os experimentos trabalham com potências reduzidas, voltadas a aplicações como:
- sensores industriais;
- dispositivos médicos implantáveis;
- equipamentos em ambientes hostis;
- sistemas de monitoramento remoto;
- Internet das Coisas (IoT).
São cenários em que cabos são caros, frágeis ou inviáveis, e onde a transmissão sem fio resolve um problema real de engenharia.
E a Tesla de Elon Musk?
Aqui vale o esclarecimento: a Tesla, empresa de Elon Musk, não participa desses projetos finlandeses. Ela apenas recebeu o nome em homenagem ao cientista.
A Tesla moderna aposta em outra frente: baterias, armazenamento de energia, carros elétricos e redes de recarga. Ainda assim, o nome não é coincidência. Musk sempre tratou Nikola Tesla como um símbolo da energia do futuro, embora por caminhos diferentes.
Curiosamente, muitos dos desafios atuais da energia sem fio — eficiência, perdas, controle e escala — também aparecem nas discussões sobre fusão nuclear, outra tecnologia que promete abundância, mas exige paciência e realismo.
Fonte: www.moneytimes.com.br
Link da Fonte
