Elon Musk diz que a inteligência artificial vai acabar com o trabalho remunerado e com o dinheiro e a própria IA dele, o Grok, discorda

I.A Tecnologia
Se depender de Elon Musk, o dinheiro está com os dias contados. Em um futuro dominado pela inteligência artificial (IA) e pela robótica, o fundador da Tesla e da SpaceX afirma que o trabalho deixará de ser necessário e, sem salários, o próprio conceito de dinheiro perderá sentido. 

“Sinceramente, acho que o dinheiro está desaparecendo como conceito”, disse Musk em um episódio recente do podcast People by WTF. 

A lógica do bilionário é a seguinte: se máquinas as produzem tudo o que precisamos, não há mais razão para usar o dinheiro como intermediário.  

A provocação é típica de Musk. Mas o curioso é o que acontece quando a pergunta é devolvida à Grok, a inteligência artificial criada pela própria xAI 

A visão de Musk: abundância resolve tudo

A tese do bilionário parte de um cenário de abundância extrema. Com IA avançada e robôs humanoides (como o Optimus, da Tesla), bens e serviços poderiam ser produzidos em escala quase ilimitada. 

Ou seja: comida, moradia, transporte, saúde e energia deixariam de ser problemas econômicos. 

Na utopia muskiana, trabalhar seria opcional. As pessoas se dedicariam a hobbiesà arte, à ciência, à exploração espacial ou a qualquer assunto que as interesse. 

Para atravessar o período de transição, Musk já defendeu publicamente a renda básica universal, uma forma de sustentar a população enquanto empregos tradicionais desaparecem. 

De acordo com ele, não seria o fim imediato do dinheiro, mas o começo de sua irrelevância no dia a dia. 

É uma visão que lembra ficção científica: algo entre Star Trek e um Vale do Silício sem boletos. 

O que a Grok responde (com menos empolgação)

Perguntada sobre a ideia de Musk, a Grok reconhece o ponto central do chefe, mas pisa no freio. Segundo a IA do X, mesmo em um mundo altamente automatizado, a escassez não desaparece por completo. 

Sempre haverá coisas limitadas: 

  • espaços físicos privilegiados,  
  • experiências únicas,  
  • influência sobre decisões. 

A Grok sugere que o dinheiro não sumiria, mas evoluiria. Assim como já deixou de ser ouro, papel ou moeda física, pode virar algo ainda mais abstrato, integrado a sistemas de IA. 

Alguns exemplos da IA foram: virar tokens digitais, créditos de energia, reputação ou acesso. Algo menos físico, mais abstrato, mas ainda necessário para decidir quem fica com o quê.  

Nesse sentido, o mundo sem dinheiro pode não ser tão diferente do atual, apenas mais sofisticado, e potencialmente mais opaco. 

O risco da utopia virar distopia

A IA também levanta um ponto pouco romântico: quem controla as máquinas? Se IA e robôs ficarem concentrados nas mãos de poucas empresas ou governos, a abundância pode virar privilégio.  

Nesse cenário, o dinheiro até pode perder importância para necessidades básicas, mas surgem novas desigualdades: pontuação de reputação, acesso “premium” a experiências, influência algorítmica.  

Um mundo confortável, mas tão profundamente desigual como hoje. 

Há ainda o fator humano. Sem trabalho como eixo da vida, como manter propósito, motivação e saúde mental? O chamado “problema do tédio” já é discutido por filósofos e economistas há décadas. 

A Grok menciona o chamado “paradoxo da pós-escassez”: quando tudo está disponível, o desafio deixa de ser sobreviver e passa a ser por que viver.  

Sem respostas claras, abundância pode virar tédio, apatia ou crise existencial em massa. 

Quando isso poderia acontecer?

Musk fala em 10 a 20 anos para que o trabalho se torne opcional. A Grok é mais cautelosa. Ela prevê uma transição turbulenta, com desemprego tecnológico, pressão por políticas públicas e aumento das desigualdades nos curto e médio prazos. 

No longo prazo — algo entre 40 e 50 anos — a IA considera plausível um mundo em que o dinheiro perde relevância para necessidades básicas parece possível, mas desaparecer completamente segue improvável. 

Por fim, a IA afirma que o obstáculo não é a tecnologia (ela está vindo rápido),  as a política, distribuição de bens e riqueza e natureza humana. 

Se uma solução clara para a desigualdade e o propósito de vida não for encontrada, a utopia de Elon Musk tem grandes chances de se transformar em distopia.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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